Gripe Espanhola

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Por Denilson Alexandre Coêlho

Seu provável início pode ter ocorrido no Estado do Kansas, nos Estados Unidos da América. No entanto, os primeiros casos foram noticiados pelos jornais da Espanha, por isso o nome ficou marcado como Gripe Espanhola.

Seus principais sintomas, tosses e espirros, eram semelhantes ao de uma gripe comum, assim como suas formas de contágio, pelas vias aéreas.

Com a partida de soldados americanos para lutar na 1ª Guerra Mundial ocorreu a disseminação desta doença por toda a Europa e, consequentemente, por todo o planeta. A grande pandemia teve início no ano de 1918.

A Guerra foi o grande propagador da doença, mas o enorme desenvolvimento do sistema de transporte possibilitou o deslocamento de uma quantidade de pessoas pelo mundo, como nunca antes havia ocorrido. Durante o período da guerra, as péssimas condições sanitárias ocasionaram o grande número de mortos e infectados pela doença, tendo em vista que a imunidade dos soldados e da população envolvida na guerra estava extremamente prejudicada.

A taxa de mortalidade pela gripe Espanhola girou em torno de 20 a 50 milhões de pessoas, aproximadamente 1% da população mundial.  No ano de 1918, mais ou menos 500 milhões de pessoas foram infectadas em uma população mundial de quase 2 bilhões de pessoas. Para se ter uma ideia da dimensão da letalidade deste vírus, durante todo o período da 1ª Guerra Mundial, morreram cerca de 8 milhões de indivíduos.

A maior taxa de mortalidade foi de pessoas entre 20 e 40 anos de idade. Muito incomum para esse tipo de doença, pois geralmente os mais afetados são os maiores de 65 anos. Esta condicionante se deve, dentre outros fatores, por conta da guerra e suas consequências.

No Brasil, a gripe chegou no segundo semestre de 1918 através de um navio da Marinha, que ancorou em Recife, Salvador e no Rio de Janeiro, com militares infectados pela gripe. Mas o principal propagador foram os navios comerciais e de turismo que estavam repletos de pessoas infectadas. Estes navios aportavam em portos do Nordeste e sudeste brasileiro contaminando milhares de pessoas pelo Brasil.

A gripe se propagou vertiginosamente. As autoridades sanitárias brasileiras não acreditaram, em princípio, quanto à letalidade desta doença. Chegaram a cogitar a censura da imprensa por causar pânico na população, o que não foi autorizado pelo governo.

Estádios e locais públicos foram transformados em hospitais de campanha para suportar a demanda pela grande quantidade de pessoas infectadas. Nas terras brasileiras morreram cerca de 35 a 40 mil pessoas, dentro de um universo de aproximadamente 30 milhões de habitantes no Brasil de 1918. Os principais estados afetados foram Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Surgiram diversos remédios prometendo a cura desta enfermidade, mas nenhum era realmente eficaz. Foi estudada a hipótese de que a substância Quinino pudesse curar (quinino era o remédio utilizado no tratamento da malária). O remédio acabou nas farmácias por conta da imensa demanda. No entanto, estudos mais aprimorados afirmaram que também não era eficaz para a cura da Influenza Espanhola. Inclusive o próprio Presidente do Brasil, Rodrigues Alves, morreu de gripe Espanhola em janeiro de 1919.

O auge da epidemia no mundo foi entre setembro de 1918 e janeiro de 1919. Aos poucos a doença foi perdendo força, os especialistas conseguiram conter os males causados por essa pandemia e o mundo seguiu seu curso, não sem traumas, recessões e problemas econômicos. Mas com a esperança da superação.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

FAGUNDES, Gabriel. Rodrigues Alves: O presidente brasileiro que morreu vítima da gripe espanhola. São Paulo: Aventuras na História, 2020. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/rodrigues-alves-o-presidente-brasileiro-que-morreu-vitima-da-gripe-espanhola.phtml. Acesso em: 3 abr 20.

GOULART, Adriana da Costa. Revisitando a espanhola: a gripe pandêmica de 1918 no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2005. Disponível em:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702005000100006. Acesso em: 3 abr 20.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE  

https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=213988&view=detalhes

LAMARÃO, Sérgio e URBINATI, Inoã Carvalho. Gripe Espanhola. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2010. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GRIPE%20ESPANHOLA.pdf. Acesso em 3 abr 20.

SILVEIRA, Anny Jackeline Torres. A medicina e a influenza espanhola de 1918. NIteroi/RJ: Universidade Federal Fluminense, 2005.  Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-77042005000200007. Acesso em: 3 abr 20.

SOUZA, Chistiane Maria Cruz de. A epidemia de gripe espanhola: um desafio à medicina baiana. de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702008000400004. Acesso em: 3 abr 20.

WESTIN, Ricardo. Há 100 anos, gripe espanhola devastou país e matou presidente. Brasília: Senado Federal, 2018. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-100-anos-gripe-espanhola-devastou-pais-e-matou-presidente. Acesso em: 3 abr 20.

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