Ideologia

                   
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"A IDEOLOGIA JÁ SABE A RESPOSTA ANTES QUE A PERGUNTA SEJA FEITA".

Por Denilson Alexandre Coêlho

O que é ideologia? Uma maneira bem simples de explicar é afirmando que ideologia é o conjunto de ideias que temos na cabeça, sejam elas políticas, religiosas, éticas ou morais. De forma resumida é isso.

Mas, para que uma ideologia se torne forte e duradoura, é importante que um conjunto de indivíduos passem a seguir os mesmos princípios e os mesmos ideais. Com isso, formando um conjunto moral e ético capaz de ordenar todo o grupo.

Pensando um pouco mais além, quando esse grupo se torna ainda maior e mais poderoso, suas ideias e princípios se tornam cada vez mais solidificados e fortes o bastante para impedir que novas ideias circulem de maneira livre e sem preconceitos.

Agora pensando em uma escala global, quando as ideias se disseminam de tal forma que toda humanidade é conhecedora, esses princípios se tornam quase que uma regra obrigatória. Esmagando, portanto, toda e qualquer ideologia que surja para questionar os valores e princípios dominantes.

A contemporaneidade nos apresenta um mundo extremamente interligado e interdependente. O que ocorre hoje em um país no extremo oriente é conhecido em questão de minutos do outro lado do planeta. Exemplo disso é o conflito nuclear entre Estados Unidos da América e Coréia do Norte. Ou em um passado não muito distante, entre os Estados Unidos e o Iraque (hoje sabemos que, na verdade, o Iraque não possuía nenhuma arma de destruição em massa. Os motivos eram prioritariamente econômicos e políticos, como forma de demonstração de poder e hegemonia do país mais rico do mundo, frente aos demais países do planeta Terra). A consequência prática de tal interdependência planetária é que os valores e ideologias estão se tornando, também, globais. Entretanto, a ideologia predominante será cada vez mais aquela imposta pelos países economicamente mais poderosos.

Portanto, é de se notar que as escolhas individuais estão se sujeitando de forma mais pesada e impositiva às escolhas coletivas estrangeiras. Todos os dias vive-se este tipo de escolha. Por exemplo, o tipo de roupa que vestimos, os alimentos que comemos, os filmes e séries que assistimos. O mundo está cada vez mais padronizado e nossas escolhas sujeitas ao que nos oferecem.

 Há uma célebre frase do grande empresário Henri Ford que dizia: “Pode-se escolher qualquer cor para seu carro, desde que seja preta”. Ele dizia isso porque lá nos idos dos anos de 1900, quando Ford iniciou sua empreitada de extraordinário empresário do ramo automobilístico, os carros só possuíam uma única cor, a cor preta. Ou seja, hoje temos o direito de escolhermos o que quisermos, desde que esta escolha esteja de acordo com a ideologia dominante.

No ENEM de 2016 a questão número 15, da prova azul, do caderno 1, apresenta um enunciado que fala sobre a questão da ideologia dominante na contemporaneidade.

A pergunta a ser respondida na questão é na verdade uma ironia. Pois a liberdade de escolha na civilização ocidental não passa de uma grande ilusão, tendo em vista que somente escolhemos aquilo que nos dão a escolher e não aquilo que efetivamente queremos. Ou seja, a letra “E” da questão 15 é a correta.

Veja abaixo, a questão na íntegra.

QUESTÃO 15 Prova Azul, Caderno1, ano 2016

Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a)

A legado social.

B patrimônio político.

C produto da moralidade.

D conquista da humanidade.

E ilusão da contemporaneidade.

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