Mulheres no comércio

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

As pessoas traficadas e escravizadas da África para o Brasil trouxeram consigo uma herança de muito trabalho, seja no comércio, na agricultura, ou em trabalhos domésticos.

Quanto ao comércio, os povos de origem iorubá contribuíram sobremaneira para a difusão do comércio de rua nos Estados da região Nordeste do Brasil.

Iorubá é um dos grupos linguísticos existentes na África. Situado na Região Ocidental da África, este grupo abrangia o que hoje é o Níger, Nigéria, Costa da Mina, Togo, Gana, Benin, Guiné, Guiné-Bissau, Serra Leoa, dentre outros.

No período escravocrata brasileiro, as pessoas escravizadas que eram traficadas da região ocidental da África, desembarcavam, principalmente, na região nordeste do Brasil. Saiba mais no artigo intitulado “Prefixo de Verão”, lá você entenderá melhor quem eram os Iorubás. Dentre os vários costumes herdados dos povos africanos, o comércio exercido pelas mulheres destaca-se de maneira muito especial. Exemplo disso é que ainda hoje esse costume pode ser observado com muita facilidade nas ruas de Salvador. Muitas mulheres saem todos os dias de suas casas para vender os mais diversos produtos, principalmente, comidas típicas da Bahia. Entretanto, essas comidas típicas também foram herdadas da África.

No ENEM de 2016 a questão número 08, da prova azul, do caderno 1, apresenta um texto que remete, mais uma vez, às atividades laborais femininas, assim como a questão 7 da mesma prova.

O texto explica que viajantes portugueses atestaram as atividades comerciais femininas na costa da África, desde o século XV. Esta atividade se refletiu no Brasil do século XVIII e XIX. Com isso, conclui-se que as mulheres estão presentes no comércio de rua das diversas cidades escravistas do Brasil do período colonial e no Brasil Império. Este fato se reflete, inclusive, no Brasil de hoje. Ou seja, a letra C da questão 08 é a correta.

Veja abaixo, a questão na íntegra.

QUESTÃO 08 Prova Azul, Caderno1, ano 2016

A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela perícia, autonomia e mobilidade. A sua presença, que fora atestada por viajantes e por missionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV, consta também na ampla documentação sobre a região. A literatura é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem como a autonomia e mobilidade, é tão típico da região.

HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In: PANTOJA, S. (Org.). Identidades, memórias e histórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.

A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela

A restrição à realização do comércio ambulante por africanos escravizados e seus descendentes.

B convivência entre homens e mulheres livres, de diversas origens, no pequeno comércio.

C presença de mulheres negras no comércio de rua de diversos produtos e alimentos.

D dissolução dos hábitos culturais trazidos do continente de origem dos escravizados.

E entrada de imigrantes portugueses nas atividades ligadas ao pequeno comércio urbano.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

COÊLHO, Denilson Alexandre. A História do Brasil em 20 minutos. EBook. Dicas de História, 2017.

 

FIGUEIREDO, Luciano. Raízes Africanas. Rio de Janeiro: Sabin, 2009.

KLEIN, Herbert S. e VINSON III, Ben. A Escravidão Africana na América Latina e Caribe. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2015.

LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.

MELO, Elisabete e BRAGA, Luciano. História da África e Afro-Brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. São Paulo: Ática, 2006.

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