Série: Para que serve a História? Parte 5 – Educação

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

Para quê serve a escola?

Qual a sua finalidade?

Atualmente se questiona muito sobre o problema na educação. Professores mal remunerados, escolas com péssima infraestrutura, conteúdo defasado ou mal organizado.

Enfim, é notório que se faz necessária uma reformulação na educação.

Mas o que fazer? Como reformular?

Vamos conhecer a História por traz de tudo?

O modelo de escola que se utiliza atualmente vem do formato prussiano de educação. Constituído no século XVIII, este formato tinha como finalidade massificar e padronizar o conhecimento da população, além de direcionar os saberes conforme a necessidade do Estado.

Ou seja, a escola foi criada para controlar a população, de forma que o Estado pudesse conduzir da melhor maneira possível a sociedade como um todo. O grande Rei da Prússia Frederico Guilherme I instituiu, no dia 28 de outubro de 1717, a obrigatoriedade do ensino primário para todas as crianças entre 5 e 12 anos de idade. Foi uma revolução no ensino. Todos os grandes pensadores alemães do século XVIII e XIX foram formados neste sistema. Todas as grandes potências mundiais buscaram, de alguma forma, copiar o modelo prussiano de ensino. Foi uma grande revolução na sociedade como um todo.

A Prússia, atualmente a Alemanha, se desenvolveu de forma extraordinária nos últimos 200 anos. Durante o século XIX manteve-se no cenário internacional de maneira discreta, só despontando após a Guerra Franco-Prussiano em que venceu a temida França.

Mas, no século XX, sua História iria mudar definitivamente. Após diversas alterações e aperfeiçoamento em seu sistema educacional, conseguiu se erguer como uma das mais temidas potências bélicas do mundo.

Utilizou-se de sua forma patriótica e técnico-científica de ensino para formar toda uma população preparada para o combate. Lutou na 1ª Guerra Mundial e perdeu para os países aliados. Lutou na 2ª Guerra Mundial e, novamente, perdeu para as potências aliadas.

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a Alemanha estava completamente destruída. Seu sistema educacional centrado em uma educação rígida, complexa e nacionalista o levou ao declínio.

Qual conclusão que se tira dessa situação?

Não vale a pena criar um sistema de ensino centralizado que busque o desenvolvimento tecnológico, social e que ao mesmo tempo cultue os valores nacionais? Essa é a conclusão?

Não

Na realidade, o sistema educacional alemão foi manipulado de forma a conduzir toda uma população para conflitos que não deveriam ter ocorrido. As causas das grandes guerras mundiais são diversas. Mas o que se conclui é que o Governo utilizou-se das melhores qualidades do povo germânico (obediência, rigidez, coragem, disciplina, equilíbrio, cooperação) para transformar a Alemanha em uma máquina de guerra. Ao final, o povo alemão foi derrotado.

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, o território alemão foi dividido entre as potências do ocidente (Estados Unidos da América, Inglaterra e França) e a União Soviética. Na prática, a disputa ficou entre EUA e URSS (Capitalismo X Socialismo).

Mesmo dividida entre dois modelos completamente diferentes (Socialismo e Capitalismo) a Alemanha manteve sua base moral e ideológica que a auxiliou na reestruturação e reorganização do país. Na década de 70 e 80 do século XX. Já estava novamente entre as maiores potências do mundo. E na década de 90 do século XX, após a queda do muro de Berlim, em 1989, se tornou a 2ª maior potência mundial. Atualmente, está entre as 5 maiores potências econômicas do mundo.

Como a Alemanha conseguiu se reerguer?

Investindo maciçamente em educação. Mas, deve-se ter em mente que seu sistema já estava consolidado a mais de cem anos. Foi apenas reformulado para os novos desafios mundiais.

O mais importante da História não é simplesmente apresentar os acontecimentos do passado, mas, principalmente, interpretá-los e trazê-los à luz do presente.

Fica a dica!!!

Quer saber mais?

 

Revista de História da UFG:

https://www.revistas.ufg.br/teoria/article/view/28629/16070

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

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