Série: Para que serve a História? Parte 2 – Escravidão/ Racismo

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

O Brasil é racista!!!

O Brasil é escravocrata!!!

O Brasil discrimina!!!

Se pararmos para pensar, essas afirmações são verdadeiras.

Atualmente o Brasil ainda lida com diversas práticas de racismo por conta da cor da pele de uma pessoa.

Não foi de repente que a cor da pele se tornou um divisor social e econômico da sociedade.

Atualmente, negros são pior remunerados que brancos, negros tem um nível de escolaridade menor que brancos, negros morrem mais de morte violenta que brancos, negros têm piores condições sociais que brancos.

Isso é verdade?

Sim, jornais, revistas, estatísticas e pesquisas afirmam diariamente que há uma grande diferença socioeconômica entre pessoas de pele negra e pessoas de pele branca.

O presente nos apresenta uma população preconceituosa.

Afirmações difíceis de serem engolidas, mas que são necessárias que sejam faladas.

SOBRE ESSE ASSUNTO, EM QUE A HISTÓRIA PODE AJUDAR?

Vamos conhecer a História por traz de tudo?

O povo brasileiro é preconceituoso de suas próprias origens. O Brasil não é europeu, não é africano, não é americano.

O povo brasileiro é uma grande mistura de cores e culturas.

Até o ano de 1500, as terras hoje chamadas de Brasil eram ocupadas por uma infinidade de povos indígenas todos com uma cor de pele diferente dos europeus.

Com a chegada dos portugueses, tudo mudou.

Os portugueses trouxeram ao Brasil o modo escravocrata de sociedade, em que negros eram trazidos compulsoriamente para serem escravizados no país.

Do século XVI até o século XIX, o Brasil se acostumou a ver o negro como escravizado.

E ao longo do século XIX, com diversos movimentos pró abolição da escravatura, a elite brasileira já se preparava para esse acontecimento.

Quando em 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravidão, uma política de branqueamento da população já estava em curso.

O principal objetivo era eliminar a cor negra da pele do brasileiro e para isso foram utilizados alguns métodos:

  • Imigração: o Brasil instituiu uma política de imigração de europeus. Principalmente italianos e alemães. Com a chegada de pessoas de pele branca, a população passaria a ser majoritariamente branca.
  • Miscigenação: com a união afetiva entre brancos e negros, o objetivo era que em pouco tempo não haveria mais negros no Brasil;
  • Isolamento: com o isolamento de pessoas de pele negra em seus redutos, sejam quilombos ou à margem das cidades, eles não teriam condições de sobreviverem e em breve morreriam;
  • Exclusão: com o fim da escravidão e a chegada dos imigrantes europeus, os negros não mais teriam condições de conseguir emprego ou moradia. Com isso o isolamento social e econômico eliminaria o restante dos negros que sobreviveram a escravização.

A política eugenista do século XIX e XX, tinha como meta a limpeza total da “raça” negra no Brasil até meados do século XX. Ou seja, hoje o Brasil seria povoado por pessoas de pele branca.

Mas não foi o que aconteceu.

Eles não contavam com a resistência das pessoas de pele negra.

Mesmo diante de tantas intempéries e de tantas dificuldades, os negros conseguiram sobreviver a toda discriminação e toda política de eliminação.

Uma infinidade de pessoas de pele negra não teve acesso à educação e saúde de qualidade. E a segurança era principalmente contra eles.

A herança escravista e de exclusão permaneceu por muitas décadas após o fim da escravidão.

Hoje, quando vêm à tona políticas de reparação desses séculos de políticas discriminatórias, muitos levantam diversas bandeiras sem nem sequer saber o que ocorreu no passado.

É primordial conhecer a História para, só então, ter a verdadeira noção sobre certas atitudes governamentais para o reequilíbrio social da população brasileira.

As políticas de cotas são uma necessidade. Mas o que deve ficar muito claro É A FORMA COMO TAIS POLÍTICAS SÃO DESENVOLVIDAS E APLICADAS.

A História apresenta as falhas e injustiças.

O presente deve reparar tais erros, para que no futuro haja a verdadeira igualdade entre seres humanos iguais.

A cor da pele apenas representa uma tonalidade de cor da pele. Nada mais.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

DEL PRIORE, Mary & VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais – uma introdução à história da África Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier. 2004.

LUZ, Marco Aurélio. Agadá – dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador: Ed.UFBa. 2003.

NASCIMENTO, Elisa Larkin. Sankofa – Matrizes africanas da cultura brasileira. São Paulo: Selo Negro. 2008. Vol. 1, 2, 3 e 4.

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SOLAZZI, José Luís. A ordem do castigo no Brasil. São Paulo: Imaginário: Ed. UFAM. 2007.

BARROS, José D’Assunção. A construção social da cor. Petrópolis: Vozes. 2009.

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo: EdUSP. 1971.

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GOMES, Nilma Lino & GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz (orgs.). Experiências étnico-culturais para a formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.

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