Série: O Início de Brasília – a capital da esperança – Parte 4/4

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

Os principais fatos apresentados nos jornais da época sobre a inauguração de Brasília, cuja qualidade e volume contribuíram para a leitura documental, em geral possuem informações semelhantes e matérias muito parecidas, com poucas diferenças relativas a críticas e elogios.

O conjunto documental da imprensa escrita analisada informou de forma clara como a recém-criada capital foi apresentada e retratada durante a sua inauguração. Entretanto, os jornais priorizaram principalmente os discursos políticos, mas não deixaram o cotidiano da sociedade local de fora, informando muitos aspectos do dia a dia do cidadão brasiliense, que, na verdade, trouxeram seus costumes de suas terras natais.

A inauguração de Brasília foi a conclusão de um propósito que remonta ao século XIX, em que Juscelino Kubitscheck construiu a nova capital como a mais moderna cidade do Brasil em pouco mais de 3 anos. Os meios de comunicação registraram o momento de expectativa e, ao mesmo tempo, a esperança e a desconfiança de um povo ansioso por mudanças.

Os discursos de JK explicitam a participação dos candangos na construção da nova capital. Não há, porém, nenhum candango entrevistado no dia da inauguração ou fotografado em qualquer imagem jornalística. No entanto, foi notada a religiosidade católica, o atendimento eficaz da saúde, a música clássica como a preferida, a comida favorita do candango (segundo os jornais). Os imóveis funcionais dos Deputados são criticados por causa da falta de acabamento. A ocupação das cidades-satélites nem sequer foram relatadas em uma nota de roda pé, e apesar de originariamente não terem sido previstas, foram construídas pela necessidade imediata de moradia para os excluídos do plano piloto. Favelas e depósitos de lixo, porém, tiveram uma pequena chamada em um dos jornais. A segurança pública tem um pequeno destaque. Com isso, os jornais brasileiros informam o cotidiano da recém-criada população brasiliense em uma cidade ainda em edificação.

Brasília foi criada para suprir os famosos desequilíbrios regionais brasileiros relativos aos problemas de distribuição da população. Além disso, a nova capital foi vista como a solução para a economia do país. Este foi um ponto amplamente tratado nos jornais, pois é um fato que traz esperança para todos, além da expectativa de um Brasil mais forte social e economicamente.

No entanto, a herança da construção de Brasília foi uma dívida pública astronômica, um rombo histórico na previdência e um cinturão de pobreza e desequilíbrios social e econômico no entorno da capital federal.

Depois de mais de meio século de criação, Brasília continua sendo uma cidade estritamente administrativa com destaques no comércio e na atividade terciária. As indústrias não têm um papel relevante na economia, apesar de ser um grande empregador. O setor primário da economia brasiliense (agricultura) supri o Distrito Federal com os mais variados produtos, apesar de não trazer a autossuficiência para a capital.

A mítica Brasília, inaugurada no mesmo dia da fundação da grandiosa Roma antiga, não apresenta índices sócio-econômicos diferentes do restante do país. Os problemas e dificuldades são os mesmos, com alguns poucos picos de desenvolvimento. Brasília cresce ao sabor do crescimento do país e Brasília cai ao sabor das quedas do Brasil. Mas continua sendo a “CAPITAL DA ESPERANÇA”.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

Congresso em foco: jornalismo para mudar. Disponível em <http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/na-inauguracao-brasilia-era-retratada-entre-esperanca-e-desconfianca/>. Acesso em 24 de março de 2016.

Folha de São Paulo. Disponível em: < http://acervo.folha.uol.com.br/>. Acesso em 24 de março de 2016.

HOLSTON, James. Cidades de Rebelião in A Cidade Modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. [pp. 257-288].

O Globo. Disponível em <http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/jk-inaugura-brasilia-9385770>. Acesso em 24 de março de 2016.

SANTOS, Milton Reflexões em torno da nova capital. In KATINSKY, Julio; XAVIER, Alberto (orgs.) Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac Naify, 2012. [pp. 125-135].

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