Série: UM PANORAMA DA GLOBALIZAÇÃO E DO CAPITALISMO – Parte 9/9: Poder, fronteiras e identidades

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

Após uma viagem de mais de quinhentos anos de História é possível perceber que a globalização e o capitalismo estão intimamente ligados. O poder instituído por potências hegemônicas atesta a necessidade de uma forma organizada de Estado para que haja um suporte adequado ao capitalismo. As fronteiras são constantemente modificadas e ignoradas ao sabor das guerras e dos interesses de Estados dominantes. Já as identidades são sistematicamente manipuladas sob o pano de fundo da reestruturação e do auxílio à modernização. Os três aspectos se tornam faces obscuras no grande jogo chamado capitalismo, sendo seu agente mais influente, a globalização.

Para um melhor funcionamento do sistema capitalista é necessário que haja um Estado que imponha seu poder, seja interferindo no mercado, seja abrindo os espaços para a livre circulação da economia. A Inglaterra e os Estados Unidos somente se tornaram potências hegemônicas de seus tempos porque possuíam uma estrutura organizada de Estado. E também conquistaram os seus espaços investindo na exploração do ser humano em prol do acúmulo de mais capital e explorando outros Estados a fim de espalhar seus produtos, sua cultura e sua hegemonia. A Grã-Bretanha do século XIX sustentou o poder sob o manto do liberalismo econômico e a política do Estado mínimo. Já os EUA variaram de acordo com as necessidades internacionais entre liberalismo e protecionismo, mas sempre em busca de melhor manter seu poder soberano sobre os demais Estados.

Desde sempre as fronteiras mundiais estão em constante movimento, entretanto, com o capitalismo, as linhas que demarcam os países se moveram como nunca e, em alguns momentos, até desapareceram. Com as guerras, geralmente as demarcações territoriais são modificadas, pois o vencedor se apropria de território alheio ou reocupa o espaço antes tomado. Entretanto, com a globalização, as fronteiras se tornaram mais flexíveis, pois se exporta tudo para todos os lugares. Inclusive, com o avanço da tecnologia, as barreiras dos Estados estão cada dia mais fragilizadas, porque o acesso à rede mundial de computadores possibilita o acesso rápido e democrático a uma infinidade de informações, que poderão ser usadas para fins lícitos ou ilícitos. Atualmente, com a tecnologia dos satélites é possível em alguns segundos enxergar de um lado ao outro do planeta. Em contrapartida, os países ainda buscam reforçar suas barreiras para melhor controle de sua população, pois nem sempre o estrangeiro é bem vindo.

A questão identitária é um ponto que a globalização com freqüência descaracteriza. Os EUA por meio de uma política consumista influenciam o mundo a utilizar seus produtos, a assistir seus programas e filmes, a falar sua língua e a comer seus fast-food, alterando e reduzindo as culturas locais a meras tradições esquecidas. Isso é o que a globalização oferece: valores locais tornando-se universais.

Por fim, é possível perceber que o capitalismo, ao longo dos séculos, apresentou ao mundo uma infinidade de possibilidades. Produtos úteis e inúteis, um sem número de facilidades que ajudaram e outras que dificultaram a vida das pessoas, mas, o principal, foi que a raça humana foi escravizada por suas próprias invenções. Toda a tecnologia e todo o conhecimento acumulado não são capazes de resultar numa soma básica: dignidade e respeito para todos.

Mais uma vez a utopia entra em cena para conjecturar um futuro incerto e onírico para o mundo. O capitalismo é o vilão da humanidade? O socialismo foi mal executado? Que sistema político-econômico será a solução para os problemas da sociedade contemporânea? Não há resposta para tais questionamentos. A única certeza é que o capitalismo continuará hegemônico e com disposição para muitos anos de vida.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

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