Série: UM PANORAMA DA GLOBALIZAÇÃO E DO CAPITALISMO – Parte 6/9: O intenso século XX – 3

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

A Autarquia X Socialismo X Social-democracia

A crise do capitalismo no início do século XX possibilitou o crescimento e o surgimento de diversas formas de controle da economia e da sociedade. Dentre elas é possível verificar a criação da autarquia, o crescimento do socialismo e o surgimento da social-democracia.

A política autárquica de direita, ou fascista foi a primeira a sair do cenário internacional. A autarquia surgiu como alternativa à crise econômica do entre guerras. Haviam características comuns aos Estados que aderiram a essa forma de controlar a economia e a sociedade, em termos gerais: forte intervenção do Estado na economia, afastamento dos mercados internacionais e setor público atuante em todas as fases da economia e em todas as camadas da sociedade. Além disso, “Após terem se dedicado à crise imediata, os governantes fascistas voltaram-se para os objetivos de longo prazo: controle político inquestionável, desenvolvimento industrial acelerado, autarquia e expansão militar” (FRIEDEN, 2008, p.232). Contudo, a prioridade era o desenvolvimento da indústria pesada e não a de bens de consumo, e, quanto à expansão militar, o objetivo era agregar mais território gerando uma maior autonomia econômica a fim de abastecer toda a população sem a necessidade de envolvimento com outros Estados. Com a derrota da Alemanha, Itália e Japão, na Segunda Grande Guerra, esse modelo sobreviveu apenas em alguns poucos países mais atrasados como Espanha, Portugal e Grécia. Dessa forma, de maneira geral, deixou de ser uma proposta plausível, pois o mundo globalizado do pós 2ª Guerra precisava de países interligados para melhor circulação do capital.

O socialismo da União das Repúblicas Soviéticas – URSS teve seu início em 1917, com a Revolução Russa. Sua política voltada para dentro, assim como as autarquias europeias, proporcionou a construção de um Estado que controlava a indústria, o comércio, as finanças e os investimentos em tecnologia, contudo, com um viés socialista, contrário ao capitalismo. Com uma economia planificada, em que o governo, a cada cinco anos, apresentava os rumos econômicos para o país, a URSS permaneceu na cena mundial até o fim da década de 1980, desmoronando juntamente com o muro de Berlin.

A social-democracia construiu suas bases já no fim da década de 1930, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, como alternativa para o fim da crise de 29. Em linhas gerais, o Estado de bem-estar social moderno, buscou reformular a economia com um investimento maciço do governo na atividade econômica para que o capitalismo pudesse se recuperar e voltar a crescer. “Os governos deviam estimular o aumento da produção, diminuir o número dos excluídos do circuito produtivo e, consequentemente, promover o crescimento da demanda de todo tipo de consumo” (REIS, 2005, p.250). Em suma, os investimentos deveriam beneficiar, principalmente, a classe trabalhadora, não porque se pensava no bem-estar do proletariado, mas porque com os trabalhadores ganhando bem, o consumo aumentava, o desemprego diminuía, os lucros capitalistas cresciam e o governo controlava a população e o capital. Com isso, os principais países capitalistas industrializados se utilizaram deste modelo para fugir da crise e desenvolver o país com base em uma economia globalizada. Contudo, no início da década de 1980, este modelo já dava sinais de desgaste e muitos países passaram a adotar políticas que retiravam muitos benefícios, arduamente conquistados, dos trabalhadores.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

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