Série: UM PANORAMA DA GLOBALIZAÇÃO E DO CAPITALISMO – Parte 5/9: O intenso século XX – 2

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

O entre guerras

O período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial não foi, de forma alguma, um período pacífico para a Europa. Apesar da reconstrução econômica financiada pelos Estados Unidos, havia um grande desconforto em relação ao tratado de paz assinado pelas partes envolvidas. Tal desconforto influenciou significativamente as relações políticas e econômicas de toda a Europa.

No campo político, a imposição do Tratado de Versalhes instituiu uma paz que dificilmente se manteria, pois o acordo era extremamente desfavorável para a Alemanha derrotada. Conforme atesta Frieden, parafraseando John Maynard Keynes (economista inglês que influenciou a política econômica do entre guerras e, mais tarde, da nascente social-democracia), “As exigências à Alemanha eram imorais e impossíveis de serem cumpridas. Insistir nos termos do tratado levaria apenas ao desastre” (FRIEDEN, 2008, p.167). Foi o que aconteceu, a Alemanha se reaparelhou militarmente e iniciou em 1939 a Segunda Guerra Mundial. Eric Hobsbawm, também parafraseando Keynes, explica que “Se a Alemanha não fosse reintegrada na economia européia, isto é, se não se reconhecesse e aceitasse o peso econômico do país dentro dessa economia, não poderia haver estabilidade” (HOBSBAWM, 2010, p.38).  A reintegração alemã não ocorreu e o mundo sofreu as consequências de tal decisão.

Ainda na política, movimentos fascistas aproveitaram a crise pós-guerra para influenciar uma camada considerável da população européia. “O fracasso econômico do início do pós-guerra contribuiu para a ascensão de uma nova direita, e, em meados da década de 1920, movimentos como o fascista ganharam adeptos, e inclusive poder, em todo o sul e o leste da Europa” (FRIEDEN, 2008, p.153). Além disso, houve um grande aumento dos partidos trabalhistas, socialistas e comunistas. Entretanto, ao final da Segunda Guerra, a bipolarização se tornou cada vez mais evidente: a Europa Ocidental essencialmente capitalista, com partidos de caráter trabalhista, e a Europa Oriental sob a influência socialista/comunista.

No campo econômico, ocorreram dois períodos distintos: década de 1920 com a reconstrução européia e posterior declínio da economia mundial, e década de 1930, com o reerguimento das economias e posterior declínio influenciado pela Segunda Guerra. Mas, em ambos os períodos, foi incontestável a hegemonia norte-americana. No período pós-guerra, o governo americano se manteve ausente das negociações econômicas, deixando que o próprio mercado estadunidense tomasse as decisões. Com isso, durante toda a década de 1920 houve uma enorme reestruturação européia, graças ao capital norte-americano, mas não ao governo dos EUA. Essa ausência do governo influenciou sobremaneira a grande crise de 1929 e o consequente declínio econômico por todo o mundo, porque, como as restrições ao mercado eram mínimas, eles podiam migrar para onde houvesse melhores condições. No fim da década de 1920, como o mundo dependesse principalmente dos recursos financeiros dos Estados Unidos, quando o capital retornou para os EUA transformou uma pequena recessão em uma gravíssima crise conhecida como a grande depressão de 1929.

Os anos de 1929 a 1932 foram de grandes movimentações político-econômicas. Os países periféricos, já num primeiro momento, desvincularam suas moedas do ouro retirando os encargos do padrão-ouro de suas economias. Os países mais industrializados demoraram a tomar essa decisão causando enormes prejuízos para a economia mundial. Os Estados Unidos somente se desvincularam em 1933, assim, “Livre das obrigações do padrão-ouro, os Estados Unidos conseguiram expandir a provisão de dinheiro, aumentar os preços e fazer com que a economia retomasse seu curso” (FRIEDEN, 2008, p.209).

Entretanto com a chegada da Segunda Guerra, só quem conseguiu permanecer em crescimento foi os EUA transformando-se na única potência mundial até o fim da Guerra.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

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