Série: UM PANORAMA DA GLOBALIZAÇÃO E DO CAPITALISMO – Parte 4/9: O intenso século XX – I

                   
0
799

Resultado de imagem para Inglaterra para os Estados UnidosPor Denilson Alexandre Coêlho

A transição do poder mundial da Inglaterra para os Estados Unidos

A Inglaterra reinou soberana sobre a Terra durante todo o século XIX, poucos eram os lugares em que não havia sequer uma pequena influência inglesa. A grande esquadra britânica navegava por todos os oceanos do planeta, transportando desde matérias primas até produtos manufaturados de todas as partes do mundo. A língua inglesa era a língua do comércio.  Do Canadá até a Austrália, todos falavam inglês. O governo britânico sempre se fez presente na política internacional (no período em que possuía a hegemonia), apesar de valorizar a política do governo mínimo e do liberalismo econômico. Entretanto, tal hegemonia teve um fim datado: a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

Com a Primeira Grande Guerra, a Europa utilizou todas as suas finanças em prol de uma luta que devastou o continente. A Inglaterra negociou todas as suas reservas com os Estados Unidos a fim de se manter no conflito. “A Grã-Bretanha jamais voltou a ser a mesma após 1918, porque o país arruinara sua economia travando uma guerra que ia muito além de seus recursos”. (HOBSBAWM, 2010, p.38).

Com a Europa em guerra, o mundo ficou aberto para a entrada dos produtos norte-americanos. Nas palavras de Jeffry A. Frieden “Como os beligerantes haviam abandonado o mundo em desenvolvimento, e até mesmo suas colônias, para lutar pelos próprios países, o caminho estava aberto para o capital e as exportações de manufaturados norte-americanos” (FRIEDEN, 2008, p.147). Assim, os Estados Unidos tornou-se a principal potência mundial, substituindo sua antiga metrópole de forma impressionante num período de alguns poucos anos. Se em 1913 a Inglaterra era incontestavelmente a maior potência mundial, em 1918 os EUA tomaram seu lugar e passaram a reger o mundo com uma política consumista e globalizante unidirecional, ou seja, proporcionando o consumo de produtos americanos em todo o mundo.

Para os Estados Unidos era apenas o começo de uma hegemonia longa e duradoura, mas para a Inglaterra, era o fim de uma dominação industrial e comercial inconteste. Seja por terra, seja por mar, seja pelo ar, os americanos se tornaram a maior potência industrial, financeira e comercial de todo o planeta. E Isso se reflete ainda no século XXI, sem sinais de um fim próximo.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

Deixe aqui um breve comentário.