Série: UM PANORAMA DA GLOBALIZAÇÃO E DO CAPITALISMO – Parte 2/9: O início da globalização…

                   
0
1024

Resultado de imagem para globalização e capitalismoPor Denilson Alexandre Coêlho

Pode-se dizer que o início da globalização se deu na Antiguidade, ou na Idade Média, com o sistema feudal? Nem na antiguidade, nem no feudalismo, porque, apesar de haver seres humanos espalhados por todo o planeta, não existia uma integração entre eles. Efetivamente, a globalização iniciou-se com o nascimento do capitalismo.

O sistema capitalista foi o propulsor da globalização. Mas o que é capitalismo? Para Immanuel Wallerstein “O capitalismo é, em primeiro lugar e principalmente, um sistema social histórico” (WALLERSTEIN, 2001, p. 13) que abrange direta ou indiretamente toda a sociedade mundial e está inserido em um determinado período histórico.

Karl Marx, ao escrever seu célebre livro “O Capital” nos idos do século XIX, apresentou uma evolução do capitalismo que ainda hoje merece destaque. Sua abordagem guia o leitor desde o século XIV e XV até o momento em que escreve. Para ele tudo começou com a chamada acumulação primitiva, cuja origem se deu com a existência de duas espécies de pessoas: de um lado uma elite trabalhadora e de outro uma grande massa de pessoas que gastavam mais do que possuíam. Os que trabalhavam conseguiram acumular cada vez mais riquezas, restando aos demais apenas a própria força de trabalho. Sendo assim, “A chamada acumulação primitiva é apenas o processo histórico que dissocia o trabalhador dos meios de produção.” (MARX, 1997, p. 829). Esse é um ponto determinante na história da humanidade, pois a partir do momento em que o ser humano não possui mais um local próprio para a sua subsistência, resta-lhe apenas a própria mão de obra a serviço de um terceiro. Assim, formam-se as bases que sustentam o capitalismo: a força de trabalho livre e assalariada, o proprietário de terras para empregar essa força de trabalho, o comerciante para vender a produção e o assalariado para comprar os produtos.

A grande obra de Max Weber “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” também apresentou uma explicação muito original sobre a origem do capitalismo. Para Weber, o capitalismo, ou como ele próprio diz o “espírito do capitalismo”, se deu principalmente quando a ordem natural das coisas foi invertida: “O ser humano em função do ganho como finalidade da vida, não mais o ganho em função do ser humano como meio destinado a satisfazer suas necessidades materiais.” (WEBER, 1996, p. 46). Em outras palavras, o homem passou a acumular pelo simples fato de acumular, não mais para suprir sua necessidade básica ou imediata.

Immanuel Wallerstein esclarece que o simples fato do acúmulo de riqueza não é o suficiente para afirmar a existência do capitalismo. É necessária “a ampla mercantilização de processos – não só os de troca, mas também os de produção e de investimento.” (WALLERSTEIN, 2001, p. 15). A mercantilização dos processos era o que faltava para que o capitalismo realmente entrasse em cena na história da humanidade. Além disso, Wallerstein confirma a tese de Weber argumentando que “Acumula-se capital para que se possa acumular mais capital. Os capitalistas são como ratos brancos em uma roda de gaiola, correndo cada vez mais rápido para poder correr cada vez mais rápido”. (2001, p. 37).

Seja pela acumulação primitiva, pela inversão da ordem natural, em que o ser humano somente acumula por acumular, ou ainda, pela mercantilização dos processos, o fato é que as bases para a globalização foram edificadas em solo capitalista.  O acúmulo de riquezas e a busca por novos mercados e produtos, impulsionou a ida do ser humano até aos confins da terra a fim de comprar e vender tudo o que pudesse ser comercializado, até mesmo o próprio ser humano. Essa é à base do capitalismo, essa é à base da globalização.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

Deixe aqui um breve comentário.