Série: África: “o berço da humanidade” – Parte 5/7 – As culturas africanas e sua influência no Brasil

                   
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Resultado de imagem para cultura africanaPor Denilson Alexandre Coêlho

Grande parcela do que o Brasil é hoje se deve à cultura africana. Infelizmente o brasileiro firmou um costume de, simplesmente, apagar este legado cultural e religioso recebido da África e esquecer que a cultura brasileira é, antes de tudo, herança da cultura negro-africana. Desde o “descobrimento” do Brasil, o negro é tratado apenas como um objeto e não como propagador de conhecimento.

A elite brasileira, desde o fim do tráfico negreiro, esforça-se em eliminar as evidências de negritude da população e da cultura brasileiras. Este é um esforço que ainda hoje se vê, principalmente, nas ações de discriminação raciais diariamente sofridas pelo negro no Brasil. Assim, como afirma Abdias do Nascimento em seu artigo Quilombismo: Um conceito emergente do processo histórico-cultural da população afro-brasileira.

O africano escravizado foi o maior responsável por erguer, durante três séculos e meio, o Brasil. Mas, depois da abolição da escravatura, o negro foi posto á margem da sociedade brasileira, a qual se esforçou em apagar todos os indícios de africanidade no Brasil. Não é fácil esquecer o passado, e, acima de tudo, um passado de luta e humilhação, que o negro sempre sofreu em um lugar que não queria estar. Este passado está, hoje, presente na busca pela sobrevivência da identidade negra.

No Brasil, um dos maiores focos de resistência e luta pela identidade está corporificado no Quilombo – local para onde os negros fugiam para se reencontrarem com a liberdade e com a lembrança de seus verdadeiros valores. O quilombo foi um local de resgate da dignidade e da cultura que o negro havia deixado na África. Mesmo a milhares de quilômetros da terra natal, a cultura e os valores plantados pelos ancestrais estiveram sempre presentes nos negros exportados, além de uma posterior influência na vida do próprio Brasil como nação.

O índio, o europeu e o africano são povos que construíram o Brasil. Suas culturas e seus valores miscigenaram-se e formaram esta nação brasileira. Mas é necessário perceber o lugar de cada uma destas civilizações nesta construção. O índio nativo já estava aqui antes de todos; logo depois, o europeu invadiu e impôs sua cultura; já o negro, antes dos europeus, conviveu com os americanos pré-colombianos, resultando numa transmissão de conhecimentos mútuos, apesar de não ter sido sempre uma convivência pacífica, em virtude das diferenças socioculturais. Após a chegada do europeu na América e, mais precisamente no Brasil, o negro foi trazido à força e tornando-se escravo em terras brasileiras. Mas ainda assim, conseguiu transformar e influenciar  toda a formação da cultura brasileira.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

DEL PRIORE, Mary & VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais – uma introdução à história da África Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier. 2004.

LUZ, Marco Aurélio. Agadá – dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador: Ed.UFBa. 2003.

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SOLAZZI, José Luís. A ordem do castigo no Brasil. São Paulo: Imaginário: Ed. UFAM. 2007.

BARROS, José D’Assunção. A construção social da cor. Petrópolis: Vozes. 2009.

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo: EdUSP. 1971.

BERNARDO, Teresinha. Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu. São Paulo: Educ. Rio de Janeiro. Pallas. 2003.

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FANON, Franz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Ed UFJF. 2005.

GOMES, Nilma Lino & GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz (orgs.). Experiências étnico-culturais para a formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.

JOAQUIM, Maria Salete. O papel da liderança religiosa feminina na construção da identidade negra. Rio de Janeiro. Pallas. São Paulo: Educ. 2001.

MOURA, Carlos Eugenio Marcondes (org.). As Senhoras do Pássaro da Noite: escritos sobre a religião dos Orixás V. São Paulo: EdUSP/Axis Mundi. 1994.

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