Série: África: “o berço da humanidade” – Parte 4/7 – A África antes da invasão europeia

                   
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Resultado de imagem para conquista do territorio africanoPor Denilson Alexandre Coêlho

Os povos negro-africanos possuíam tecnologias e valores completamente diferentes dos europeus quando chegaram à África para, brutalmente, colonizar estas terras. Após a conquista do território africano, os europeus se apropriaram de todo conhecimento deste povo afirmando serem criadores de toda tecnologia que esta civilização já havia inventado há séculos.

Para demonstrar a enorme capacidade tecnológica africana faz-se necessário dizer que o negro, muito antes de os europeus chegarem às Américas, já povoava este continente. Antes de Pedro Álvares Cabral e Cristóvão Colombo, os africanos já dominavam técnicas náuticas suficientes para se utilizar da rota África – América, isso muitos séculos antes de os europeus aparecerem em terras americanas.

Além da tecnologia, os africanos mantiveram valores que se consubstanciaram e se firmaram graças as suas instituições religiosas. As religiões africanas desenvolveram toda uma cultura e identidade nacionais, fortalecendo o elo entre contemporâneos e seus ancestrais. Estes princípios religiosos caracterizam a luta existencial e a propagação dos valores negro-africanos, mesmo após a colonização e escravidão.

A invasão europeia na África interrompeu todo o processo de desenvolvimento tecnológico do continente. Mas, mesmo depois destes “transformadores” de civilizações terem chegado e modificado o mundo africano, a religião e a cultura sobreviveram e resistiram às maiores dificuldades. Além disso, se transformaram em expoente de luta pela identidade negro-africana influenciando toda a cultura americana e em especial o Brasil.

A comparação entre civilizações é temerária e talvez inconveniente. Não se pode qualificar uma civilização somente por sua riqueza material ou por suas construções. É possível medir civilizações por suas realizações, conquistas, guerras, arquitetura. No entanto, é fundamental observar e preservar os valores imateriais tais como cultura, religião e costumes em geral. Uma civilização não é melhor que a outra apenas segue princípios diferentes. O mais importante para a compreensão da História de um povo não é compará-lo com outros povos, mas aceitá-lo como outra maneira de viver em comunidade.

Entretanto é primordial salientar que, com a globalização, iniciada no século XV, com as grandes navegações, o mundo se interconectou de tal maneira que não há mais barreiras físicas que impeçam que o conhecimento e a informação se propaguem de uma ponta a outra do planeta. Contudo, significa que a destruição e as mazelas também se propagaram com a mesma intensidade.

A evolução dos povos segue o imprevisível curso dos acontecimentos, conquistas, guerras, invasões e todas as interferências que o ser humano é capaz de executar. Portanto, cabe à História interpretar todo o caminhar da humanidade sem julgamentos ou interferências.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

DEL PRIORE, Mary & VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais – uma introdução à história da África Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier. 2004.

LUZ, Marco Aurélio. Agadá – dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador: Ed.UFBa. 2003.

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BARROS, José D’Assunção. A construção social da cor. Petrópolis: Vozes. 2009.

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo: EdUSP. 1971.

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FANON, Franz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Ed UFJF. 2005.

GOMES, Nilma Lino & GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz (orgs.). Experiências étnico-culturais para a formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.

JOAQUIM, Maria Salete. O papel da liderança religiosa feminina na construção da identidade negra. Rio de Janeiro. Pallas. São Paulo: Educ. 2001.

MOURA, Carlos Eugenio Marcondes (org.). As Senhoras do Pássaro da Noite: escritos sobre a religião dos Orixás V. São Paulo: EdUSP/Axis Mundi. 1994.

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