Série: África: “o berço da humanidade” – Parte 2/7: AUTOCTONISMO X ALOCTONISMO

                   
0
1075

Resultado de imagem para africa wallpaperPor Denilson Alexandre Coêlho

Os primeiros seres humanos que surgiram na Terra eram negros. Esta é uma visão muito comum para todos, pois, geralmente, as pessoas fazem uma ligação entre a origem do ser humano com o continente africano. Mas quando se fala em origem da humanidade, significa dizer que todos descendem do NEGRO e AFRICANO. É neste ponto que ocorrem os equívocos, pois nem todos param para refletir e perceber que viemos de um mesmo ancestral.

Para exemplificar essa afirmação, em fevereiro de 2018 o site El Pais publicou uma reportagem afirmando que os primeiros britânicos possuíam a pele negra, cabelos crespos e olhos azuis. A primeira ossada completa data de 10.000 anos atrás. Veja o link nas referências. Sendo assim, reforçou-se a teoria aloctonista, confirmando-se a descendência comum a todos os seres humanos.

A chamada teoria aloctonista, é contrária à teoria autóctonista. Ambas explicam o surgimento da humanidade, mas com diferenciais determinantes. Observe as principais características e diferenças entre as teorias:

Teoria Aloctonista: É a mais aceita entre os estudiosos. O aloctonismo sugere que o ser humano surgiu no continente africano e se espalhou por todo o mundo. Há diversas vertentes e hipóteses para a chegada do homo sapiens (nome científico do ser humano) em cada ponto do planeta. Independente de qual tese se segue, o fato é que a origem da espécie humana, segundo essa teoria, é africana.

Teoria Autoctonista: Segundo essa teoria, o ser humano surgiu em diversos locais independentes, não sendo a origem unicamente africana. O homo sapiens americano é independente do africano e assim por diante. Essa teoria não é mais aceita entre os estudiosos no assunto, tendo em vista a impossibilidade de seres iguais serem gerados em locais diferentes.

Portanto o ser humano efetivamente surgiu do continente africano. As diferenças de pele ou de características físicas são apenas variações e adaptações entre os mais diversos ambientes planetários.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

DEL PRIORE, Mary & VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais – uma introdução à história da África Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier. 2004.

LUZ, Marco Aurélio. Agadá – dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador: Ed.UFBa. 2003.

NASCIMENTO, Elisa Larkin. Sankofa – Matrizes africanas da cultura brasileira. São Paulo: Selo Negro. 2008. Vol. 1, 2, 3 e 4.

DA COSTA E SILVA, Alberto. A enxada e a lança – a África antes dos portugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2006.

FLAUZINA, Ana Luiza Pinheiro. Corpo negro caído no chão: o sistema penal e o projeto genocida do Estado Brasileiro. Rio de Janeiro: Contraponto. 2008.

GOMES, Nilma Lino. Sem perder a raiz – corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.

LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ. 2002.

LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. São Paulo: Selo Negro. 2004.

______. & CAMPOS, Carmen Lúcia. História e cultura africana e afro-brasileira. São Paulo: Ed. Barsa. 2009.

RAMOS, Artur. As culturas negras no novo mundo. São Paulo: Ed. Nacional. 1979.

SARAIVA, José Flávio Sombra. Formação da África contemporânea. São Paulo: Atual. 1987.

SOLAZZI, José Luís. A ordem do castigo no Brasil. São Paulo: Imaginário: Ed. UFAM. 2007.

BARROS, José D’Assunção. A construção social da cor. Petrópolis: Vozes. 2009.

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo: EdUSP. 1971.

BERNARDO, Teresinha. Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu. São Paulo: Educ. Rio de Janeiro. Pallas. 2003.

CAROSO, Carlos & BACELAR, Jeferson (orgs). Faces da tradição afro-brasileira. Rio de janeiro. Pallas. Salvador: CEAO. 1999.

DECRAENE, Philippe. O Pan-africanismo. São Paulo: Difusão Europeia do Livro. 1962.

DU BOIS, W.E.B. As almas da gente negra. Rio de Janeiro: Lacerda Ed. 1999.

FANON, Franz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Ed UFJF. 2005.

GOMES, Nilma Lino & GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz (orgs.). Experiências étnico-culturais para a formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.

JOAQUIM, Maria Salete. O papel da liderança religiosa feminina na construção da identidade negra. Rio de Janeiro. Pallas. São Paulo: Educ. 2001.

MOURA, Carlos Eugenio Marcondes (org.). As Senhoras do Pássaro da Noite: escritos sobre a religião dos Orixás V. São Paulo: EdUSP/Axis Mundi. 1994.

Site El Pais:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/07/ciencia/1518024763_388356.html?utm_campaign=ficou_sabendo_2&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

Deixe aqui um breve comentário.