Guerras Púnicas

                   
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Resultado de imagem para guerras punicasPor Denilson Alexandre Coêlho

Cartago era uma cidade localizada ao norte da África, onde atualmente se encontra a Tunísia. Fundada por povos fenícios da cidade de Tiro (atualmente localizada no Líbano) era inicialmente apenas uma colônia. Depois de sua independência, se transformou em um grande centro de poder e passou a exercer o controle sobre boa parte do Mediterrâneo. Infelizmente praticamente toda a literatura cartaginesa se perdeu com a destruição da cidade em 146 a. C.. Sua economia era voltada basicamente para o comércio e o desenvolvimento das frotas marítimas e seu exército, era formado pelos númidas, um povo africano e mercenário de outras regiões, já que o corpo de cidadãos de origem fenícia era restrito e só utilizado para defender a cidade.

Cartago estava geograficamente localizada nas proximidades da Sicília e possuía uma política de exploração de riquezas em diferentes áreas do Mediterrâneo, e os romanos, que há pouco haviam conquistado o sul da Península Itálica, também tinham interesses na região, portanto, era só uma questão de tempo para que ocorresse um choque entre as duas cidades. Assim tiveram início as Guerras Púnicas. A gênese do nome se deve ao fato de que os romanos chamavam os cartagineses de púnicos, ou seja, aqueles que são de origem fenícia.  

PRIMEIRA GUERRA PÚNICA (264 a 241 a.C.)

 Em 264 a. C. começou a 1ª Guerra Púnica, mas antes se faz necessário mostrar os principais motivos de tal Guerra: Roma passava por um período de constantes guerras e durante a época de guerras há um período de crescimento da escravidão, assim, os escravos passavam a ser utilizados nas mais diferentes funções. Roma se dirigiu ao sul da Península em busca de mais territórios e mais escravos, o que faz com que seus interesses entrem em choque com os púnicos que estavam na região. Ao que tudo indica, o epicentro dos problemas deu-se na região de Mesina, na atual Sicília.

Roma tinha tratados comerciais com Cartago. Mesina era considerada uma linha de demarcação de influência política das duas cidades. Mas em 306 a. C., Roma deixou de respeitar o acordo argumentando que ele não existia. Os conflitos se iniciaram devido ao medo mútuo que Cartago e Roma tinham do poder crescente de ambas as cidades.

Por se tratar de uma guerra travada em ilhas da região da Sicília, os conflitos desenvolveram-se em terra e no mar. Os romanos já possuíam um poderoso exército, mas precisavam de frotas marítimas para enfrentar seus inimigos, pois os cartagineses eram superiores em relação a embarcações de guerra. Os navios romanos foram inspirados em navios púnicos antes capturados. Eram grandes navios que podiam carregar cerca de trezentos homens para o combate corpo a corpo, e possuíam rampas com ganchos para atrelarem ao navio inimigo, possibilitando tal combate.

Com essa tática, os romanos conseguiram embarcar em solo Siciliano, e iniciar uma segunda fase da guerra, obrigando Amílcar, líder dos cartagineses, a voltar para Cartago.

 Essas vitórias romanas acabaram por levá-los ao norte da África, iniciando assim uma nova fase do conflito. A tática romana era um confronto no mar para, em seguida, desembarcar em Cartago e dominar a cidade. A estratégia romana de invadir os navios inimigos com o gancho e a rampa prevaleceu o que viabilizou uma das maiores batalhas navais da história, terminando com clara vitória romana.

Com tais vitórias parte dos romanos retornaram a Sicília, e a outra partiu em direção à cidade de Cartago. Os cartagineses reformaram seus exércitos e passaram a contar com o apoio dos gregos e seu exército de mercenários, além de contarem com o reforço do bom uso de elefantes nos embates, e dessa forma, o exército romano foi dizimado.

Com tal derrota, Roma concentrou-se em conquistar, de uma vez por todas, a Sicília.

ÚLTIMA FASE DA PRIMEIRA GUERRA PÚNICA.

Ao final dos conflitos em 241 a.C., os romanos haviam conquistado a Sicília, Sardenha, Córsega e Gália Cisalpina.

SEGUNDA GUERRA PÚNICA (218 a 201 a. C.)

Para reparar as perdas do sul da Península Itálica, Cartago navegou em direção à Hispania, entretanto, os romanos também se voltaram para a conquista dessa região.

Aníbal, líder cartaginês, dirigiu-se para o centro da atual Espanha, e os romanos enviaram embaixadores à Nova Cartago, com o objetivo de relembrar a Aníbal de antigos tratados da região do rio Ebro, que dividia as áreas de influências políticas e econômicas. Aníbal desrespeitou o tratado e invadiu Sarguntum. Com tal invasão, Roma declara em 218 a. C. guerra a Cartago. Os planos de Roma para essa guerra eram parte do exército seguir para a Hispania, para deter Aníbal, e a outra, sairia da Sicília para, mais uma vez, tentar invadir a África. Porém seus planos não saíram como desejados, pois a região da Gália Cisalpina rebelou-se contra os romanos, e foi necessário ceder parte das tropas que iriam para a Hispania, para deter a revolta. Enquanto na 1ª Guerra os cartagineses respondiam aos movimentos dos romanos, nessa guerra eles ditaram os movimentos pela liderança de Aníbal.

Aníbal partiu de Nova Cartago, na Hispania, rumo à Península Itálica. Sabendo disso, Cipião, general romano, que já estava em Hispania, decidiu retornar para a Itália, e deixou seu irmão Cireu para atacar as bases púnicas na Hispania.

Aníbal reorganizou seu exército na Planície do e conseguiu o apoio dos gauleses. Mesmo vencendo diversas batalhas no local contra Roma, Aníbal decidiu não marchar rumo a Roma, permanecendo em Cannae e aguardando a chegada do exército romano.

O exército romano era grande e lento, já o exército cartaginês era menor e mais rápido.  Aníbal deixou os romanos atacarem pelo meio, enquanto outras tropas cartaginesas atacaram pelos flancos e de surpresa pela retaguarda, possibilitando assim, a maior derrota romana em uma batalha, pois seu exército era composto por incríveis oito legiões, dentre elas, 10 mil cavaleiros.

Mesmo diante de tamanha derrota, os romanos não cederam. Dividiram-se em grupos menores, para conter as investidas de Aníbal e enfim derrotá-lo. Por outro lado, os romanos conseguiram importantes vitórias em terras hispânicas, e após dominar a Península Ibérica, passaram à África e venceram o rei da Numídia, aliado de Cartago. Derrotado, Aníbal volta de Cartago e procura fazer um tratado de paz. Cartago perde sua independência, e passa a pagar pesados tributos aos romanos.

Ao final da 2ª Guerra Púnica em 201 a.C., Roma detém o domínio da Sicília, Sardenha, Córsega e o território da atual Espanha, tornando-se a senhora do Mediterrâneo.

TERCEIRA GUERRA PÚNICA (149 a 146 a. C.)

Essa guerra acabou por varrer Cartago do mapa político da Antiguidade.

Após a 2ª Guerra Púnica, o Império Cartaginês estava reduzido a seu território de origem, no norte da África.

Para manter Cartago sob controle, Roma enviava comissões com o objetivo de averiguar os territórios recentemente conquistados. Contudo, uma dessas delegações voltou convencida de que a cidade ainda representava grande perigo aos romanos, sendo necessário, então, encontrar um pretexto para a guerra. Como Cartago não podia guerrear sem autorização, um pequeno conflito diplomático entre Massimisa, vizinha de Cartago, provocou em 149 a.C. a eclosão da 3ª Guerra Púnica, concentrando-se na tomada da cidade de Cartago, que era fortemente murada. Os cartagineses resistiram por três anos dentro das muralhas, mas não puderam evitar, finalmente, o saque e sua destruição.

 Roma destruiu física e politicamente seus inimigos, e fundou uma nova província na África, para administrar toda a região conquistada.

Ao final dos conflitos em 146 a.C., Roma havia conquistado a Sicília, Sardenha, Córsega, Hispania e o norte da África, além da Macedônia, algumas regiões da Ásia e a Gália Transalpina.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

MAGNOLI, Demétrio. História das Guerras. São Paulo, SP: Contexto, 2011.

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