A morte na Grécia Antiga

                   
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Imagem relacionadaPor Denilson Alexandre Coêlho

A morte.

Para uns é o fim da vida, para outros, o encerramento de um ciclo e o início de outro. Muitas sociedades encaram a morte como parte do ciclo humano sendo o caminho necessário e inevitável para todos. Por isso a importância dos cultos e ritos funerários existentes nas mais diversas sociedades.

Muitos imaginavam que os gregos antigos simplesmente não sofriam com a morte, tendo em vista que o pai tinha o direito de decidir sobre a vida ou morte de seu próprio filho. Entretanto a morte era sim muito sentida, principalmente quando se tratava de um jovem, pois representa o futuro e a garantia de perpetuação da comunidade. Se um jovem morre, morre o futuro da sociedade.

O destino da pessoa após a morte era um assunto muito importante. Todos os cidadãos que morriam recebiam sua sepultura individualizada, sendo rico ou não. A morte longe de casa era uma grande preocupação, pois corria o risco de a alma ficar vagando e não ocorrer à transição para o mundo dos mortos. Neste caso, os familiares deveriam fazer uma sepultura e deixá-la vazia, só assim a alma conseguiria fazer a passagem para o outro mundo.

O ritual fúnebre era muito interessante.

Primeiramente ocorria a preparação do corpo. Somente as mulheres acima de 60 anos poderiam exercer esta função. Elas o lavavam e untavam com diversos óleos para perfumar e proteger o corpo que por fim era vestido para que pudesse ser exposto na residência do defunto. A exposição do morto durava em média um ou dois dias e deveria ser obrigatoriamente em sua casa para atestar quem realmente eram os herdeiros. Algumas vezes acontecia de o defunto ser raptado por outra família para reivindicar a herança (apenas mera coincidência com a atualidade).

O local para a exposição também era criteriosamente preparado:

Coroa de flores ou folhas: somente os grandes heróis e os vencedores dos jogos ou de batalhas eram merecedores de utilizar uma coroa;

Diadema: somente deuses e monarcas poderiam utilizar um diadema. Este costume surgiu no período helenístico;

Vasos purificadores: os vasos eram cheios com fragrâncias para perfumar o ambiente;

Espelho: um espelho era colocado em frente ao defunto para que o mesmo lembrasse-se de sua verdadeira condição;

Pássaros: os pássaros eram colocados no local para que o morto se lembrasse de sua vida na terra e também uma indicação de sua partida para o mundo dos mortos;

Vaso de água: do lado de fora da casa era colocado um vaso com a água do vizinho. A morte era considerada uma impureza e toda a casa e seus frequentadores ficavam contaminados, por isso a água deveria ser do vizinho. Além disso, o vaso indicava a morte naquele local;

As Carpideiras: essas figuras são muito interessantes. Eram mulheres pagas para chorar nos velórios. Mas por que pagar alguém para chorar? Para chamar a atenção da comunidade e demonstrar que o morto era muito querido e importante para todos. Servia também como oblação para os deuses.

O cortejo e o sepultamento também tinham todo um ritual a ser seguido:

– O corpo deveria ser levado em um cortejo até o local do sepultamento;

– O cortejo deveria ser antes do raiar do dia passando por ruas sem movimento;

– A cerimônia era estritamente familiar;

– o esquife (uma espécie de caixão) era carregado por homens ou em um carro puxado por cavalos;

– o corpo poderia ser enterrado ou então cremado em uma pira segundo a vontade do defunto;

– geralmente ocorriam sacrifícios de animais e diversas libações, além das bebidas rituais;

– o sepultamento poderia ser tanto dentro como fora dos muros da cidade, mas sempre próximo da casa do defunto.

Depois que o morto fosse enterrado era a vez dos deuses entrarem em ação.

Existiam alguns deuses envolvidos nesse processo:

Hípnos (deus do sono) e Tánatos (deus da morte): ambos conduziam o corpo até seu túmulo, juntamente com os vivos;

Hermes, o Psicopompo: conduzia a alma do defunto até Caronte, o barqueiro infernal. Psicopompo significa guia de almas, seja para a morte, seja para um evento extremamente importante e significativo, no caso em questão, Hermes é o guia para a morte;

Caronte, o barqueiro infernal: somente autorizava a entrada da alma em seu barco se ela pagasse, assim, em muitas escavações via-se o corpo com uma moeda no olho (segundo o costume antigo, a moeda era para pagar a viagem a Caronte); e

Hades: o deus do mundo inferior. É o destino final de todos os seres humanos. O céu era reservado somente para os deuses.

Os filhos tinham como obrigação primordial enterrar seus pais. Mas o sepultamento deveria seguir estritamente o que a comunidade e os costumes determinavam. Por isso há tantas informações quanto ao rito funerário, para que todos pudessem fazer da forma como os deuses queriam.

Os lécitos de fundo branco, que é um tipo de vaso grego fabricado na Ática entre os séculos V e II a. C., mostram uma infinidade de cenas e rituais fúnebres praticados na época.

Muitas vezes nos perguntamos para quê estudar sobre povos tão antigos? A resposta é simples. Muitos dos nossos costumes e regras são heranças desses povos. E nada melhor do que conhecer costumes antigos para melhor praticar os costumes atuais. Com isso não seremos simples repetidores e imitadores, mas sim sujeitos conscientes do porquê de cada ritual ou celebração.

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

FLORENZANO, Maria Beatriz Borba. Nascer, viver e morrer na Grécia antiga. São Paulo, SP: Atual Editora, 1996.

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