Juscelino Kubitschek fez um bom governo?

                   
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Resultado de imagem para juscelino kubitschek o governoPor Denilson Alexandre Coêlho

Juscelino Kubitschek assumiu a presidência do Brasil de 1956 a 1960. Foi um político renomado e respeitado em todo o país. Ficou famoso por ter a coragem de transferir a capital para o interior. A construção de Brasília foi seu maior legado.

Mas… como foi seu governo?

Kubitschek disputou as eleições para Presidente da República em 1955. Na ocasião, venceu com apenas 36% dos votos válidos. Pouco, mas suficiente para assumir o poder e transformar o país.

Os principais pontos que marcaram seu governo foram:

– o investimento nas indústrias de base, como as siderúrgicas;

– a construção de Brasília;

– a estabilidade política; e

– a abertura para o capital estrangeiro.

Sua forma de governar ficou conhecida como nacional-desenvolvimentista, tendo em vista que, para JK, um país industrializado era um país desenvolvido. A produção industrial brasileira superou a agricultura desde JK, e ainda hoje o país não é desenvolvido.Resultado de imagem para juscelino kubitschek o governo

O nacional-desenvolvimentismo teve como base o famoso Plano de Metas “Crescer 50 anos em 5”. Realmente o que ocorreu foi perto do espetacular:

1) As indústrias cresceram exponencialmente (principalmente as siderúrgicas);

2) as construções de estradas ligaram os centros econômicos ao interior do país;

3) as usinas hidrelétricas receberam vultosas quantidades de recursos;

4) a abertura para o mercado estrangeiro possibilitou a chegada das mais diversas multinacionais, principalmente de bens de consumo duráveis (eletrodomésticos e automóveis). Entretanto, as principais empresas foram as automobilísticas, tais como Volkswagen, GM e Ford, transformando a região do ABC paulista em um pólo industrial (Santo André, São Bernardo e São Caetano).

5) a construção de Brasília. Um empreendimento monumental. A justificativa para tal empreitada era levar o desenvolvimento para o interior do país.

6) A economia brasileira cresceu impressionantes 10% ao ano (o maior crescimento da América Latina, na época) e a indústria aumentou 80%.

Até aí tudo perfeito. Um governo perfeito.

Mas quais foram as consequências de um desenvolvimento de “50 anos em 5”?

1) o crescimento das indústrias beneficiava apenas uma parcela mínima da população. A renda se concentrava cada vez mais nos ricos;

2) a decisão de construir estradas ao invés de investir em ferrovias traz consequências desagradáveis até hoje para a economia brasileira. A manutenção e os custos de uma estrada são muito maiores que de uma ferrovia. O Brasil possui dimensões continentais, a ferrovia seria a melhor alternativa;

3) a construção das hidrelétricas foi a melhor alternativa para a época, pois a tecnologia para a captação de energia solar e eólica ainda eram muita precárias. Além disso, as termoelétricas sempre foram extremamente poluentes;

4) a forma como ocorreu a abertura para o mercado estrangeiro estrangulou o mercado interno e inviabilizou seu crescimento futuro;

5) outra justificativa para a construção de Brasília era o afastamento do poder central de uma população politizada e questionadora demais. Os protestos eram frequentes e cada vez mais violentos. O Rio de Janeiro era um barril de pólvora prestes a explodir a todo instante. Isso não é bom para nenhum político. É claro que tiveram muitas outras justificativas para a construção da capital no interior do país. Desde o século XIX que essa possibilidade era estudada;

6) com tantos investimentos, a inflação subiu a índices alarmantes, o Brasil rompeu com o Fundo Monetário Internacional, se endividou cada vez mais com bancos internacionais e a dívida externa atingiu cifras como nunca antes vistas;

7) a classe média também foi beneficiada com a política governamental de JK, mas a classe pobre foi completamente esquecida e excluída. A reforma agrária então, nem entrou em pauta.

Para a época, Juscelino Kubitschek e sua equipe econômica julgaram necessário agir da forma como agiram. As oportunidades eram mínimas, o Brasil, apesar de ser um país do futuro, não era muito confiável para investidores estrangeiros. Muitas decisões foram equivocadas, mas como balanço geral, é possível enxergar uma herança de desenvolvimento e crescimento econômico, mesmo que a juros altos. Foi a decisão do momento, tomada pela política governamental vencedora naquelas eleições. Foi o que a maioria escolheu nas urnas.

Fica a dica!!!!

Quer saber mais? Leia:

CALÓGERAS, João Pandiá. Formação histórica do Brasil. 7ª edição. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional, 1972.

CARVALHO, José Murilo de.Cidadania no Brasil: O longo caminho. 14 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

COSTA, Emília Viotti da.Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo, SP: Livraria Editora Ciências Humanas Ltda, 1979.

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