A escravidão e a Nova História Cultural

                   
0
918

Resultado de imagem para escravidao e a nova historiaPor Denilson Alexandre Coêlho

A Nova História Cultural, segundo Sílvia Lara (historiadora brasileira), traz uma maneira de escrever sobre a escravidão que diverge do pensamento marxista. Segundo ela a violência infringida sobre os escravos era exemplar, pois mantinha o controle dos senhores sobre os cativos. O castigo puro e simples, sem um motivo específico, não era comum de acordo com essa linha de pensamento historiográfica.

É importante observar que para a Nova História Cultural, a violência e o tratamento dado aos escravizados à época, não deve ser visto da mesma forma como se enxerga a violência hoje. Seria um anacronismo ver o passado com os olhos do presente. Por isso não se pode comparar e julgar a forma de tratamento entre senhor e escravo dos séculos passados.

No entanto, independente da época, o castigo físico traz marcas e consequências imprevisíveis. Ainda hoje o negro no Brasil sofre com as feridas abertas por essa “violência exemplar”. Mais uma vez é importante salientar a questão do anacronismo. Para a sociedade colonial dominante, o castigo era comum e necessário.

Portanto, por mais que fiquemos indignados com tais afirmações, não se pode mudar o passado, apenas evitar que tais acontecimentos voltem à tona no presente e no futuro. Um exemplo disso é a escravidão moderna. Ocorre bem diante de nossos olhos e não fazemos absolutamente nada. Usamos roupas e nos alimentamos com produtos confeccionados por pessoas que são tratadas com condições análogas à escravidão. Horas e horas exaustivas de trabalho, péssima alimentação, locais insalubres de trabalho e descanso e sem nenhuma remuneração. Grandes empresas se utilizam deste tipo de trabalho e nós consumidores, simplesmente, compramos sem a mínima consciência de que estamos perpetuando costumes deploráveis e condenáveis. Quando, historiadores do futuro forem estudar nossa sociedade, irão perceber que éramos coniventes com uma nova espécie de escravidão. Além disso, irão constatar que estávamos tão alienados em consumir que ignoramos o fato de que existiam pessoas morrendo diariamente para que tivéssemos roupas e alimentos para nossa satisfação.

Percebem agora o que é o anacronismo? Condenamos a escravidão do passado, mas fechamos os olhos para a escravidão atual. As feridas do passado ainda não se fecharam e já estamos abrindo novas feridas. Por isso, a importância da História e o quanto devemos ser conscientes ao estudar o passado e ao viver o presente.

Fica a dica!!!!

Quer saber mais? Leia:

FREYRE, Gilberto, Casa Grande e Senzala. São Paulo: RECORD, 2000.

GORENDER, Jacob. A Escravidão Reabilitada. InLPH. Revista de História, vol. 3, nº 1, 1972. UFOP.

LARA, Silvia Hunold. Escravidão no Brasil: um balanço historiográfico. In LHP. Revista de História, vol. 3, nº 1, 1972. UFOP.

MOTA, Carlos Guilherme (org). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). 2ª Ed. São Paulo:Senac, 2000.

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varhagen a FHC. 2ª Ed. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

Deixe aqui um breve comentário.