A escravidão e a Teoria Culturalista de Gilberto Freire

                   
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Resultado de imagem para Gilberto FreyrePor Denilson Alexandre Coêlho

Gilberto Freire (1900 – 1987) foi um grande pensador brasileiro do século XX. Com a sua teoria Culturalista, ele apresenta um novo olhar sobre a escravidão e sobre a colonização portuguesa no Brasil. É importante deixar claro que visão de Gilberto Freire está calcada em um momento histórico e em um ambiente propício a um pensamento mais favorável à forma como o Português conduziu sua colônia. Portanto, mais uma vez é importante abrir a mente para uma leitura e uma teoria diferente daquilo que os novos rumos que a historiografia percorre.

A teoria culturalista de Gilberto Freyre apresenta uma extrema de afetividade e subjetividade. Seu pensamento é ao mesmo tempo científico e político. O Brasil é estudado a partir de dentro, a partir de seu íntimo, a partir de dentro de sua casa.

Com o foco na dita “cultura” modificou significativamente a pesquisa social, objetivando alcançar uma subjetividade até então desconhecida na historiografia brasileira.

Resultado de imagem para A escravidão Gilberto FreyreFreyre apresenta uma abordagem histórica, mas não-evolucionista, não-progressista. Além disso, ele é antiiluminista, como os neokantistas alemães, ou seja, buscava um pensamento científico mais reflexivo e menos tecnicista.

Para ele a história não segue uma linha evolutiva. Mas se revela em modelos particulares e específicos. Cada local e cada período de tempo produz sua própria História. Freyre produziu uma História criativa do Brasil e desprezou o formato de História predominante à sua época, ou seja, uma História político-administrativa-militar.

A visão histórica deste grande pensador segue por uma vida rotineira, onde se sente melhor o caráter de um povo. A Obra Casa grande & senzala de Gilberto Freyre louva e elogia a colonização portuguesa de maneira extremamente pomposa. Ele apresenta uma justificativa da conquista e ocupação portuguesa no Brasil. Veja o que Freyre afirma em um trecho de seu livro:

 

Resultado de imagem para A escravidão Gilberto Freyre“Tenhamos a honestidade de reconhecer que só a colonização latifundiária e escravocrata teria sido capaz de resistir aos obstáculos enormes que se levantaram à civilização do Brasil pelo europeu – só a casa grande e a senzala.” (Freyre, 1933).

 

Para Gilberto Freyre, a única maneira de colonizar um país de dimensões continentais seria com o latifúndio e a escravização.

Outro ponto interessante de sua obra foi a questão da mestiçagem. Para ele, a mestiçagem foi o maior trunfo português e o que tornou possível a colonização européia nos trópicos, pensando num Brasil não mais em termos raciais, mas sim culturais. Aqui começa seu pensamento efetivamente culturalista.

Freyre valorizou a cultura negra não levando em consideração sua condição econômico-social de escravo, mas sim seu papel primordial para a construção da sociedade brasileira. Os negros foram também colonizadores e propagadores de uma cultura que se miscigenou e transformou, juntamente com o europeu, em uma cultura genuinamente brasileira.

Um ponto que deve ser abordado é que sua visão da História é através da janela da Casa Grande e não da senzala. É uma visão senhorial da História do Brasil. Do alpendre da Casa Grande, Freyre só viu o encontro fraterno, solidário e generoso entre as três raças.

Talvez possa parecer uma visão alienada e unilateral do ponto de vista histórico, mas deve-se observar a obra de Gilberto Freyre com base em seu ambiente histórico. Em 1933, quando a épica obra “Casa Grande e Senzala” foi publicada pela primeira vez, havia uma mística e um desejo de embranquecimento da população, com políticas de imigração europeia que durara desde o final do século XIX. Com isso, a preocupação não era dar voz ao negro, mas aproveitar somente aquilo que ele contribuiu como cultura e apagar sua cor em detrimento de um total clareamento da população brasileira. Foi uma maneira de amenizar e mascarar os conflitos raciais de então.

Ainda hoje o pensamento freyriano é utilizado e seguido por alguns pensadores. Entretanto, suas obras devem ser interpretadas de acordo como suas respectivas épocas, não caindo na heresia de cometer um anacronismo histórico. Ou seja, julgar o passado com os olhos do presente.

Fica a dica!!!!

Quer saber mais? Leia:

FREYRE, Gilberto, Casa Grande e Senzala. São Paulo: RECORD, 2000.

GORENDER, Jacob. A Escravidão Reabilitada. InLPH. Revista de História, vol. 3, nº 1, 1972. UFOP.

LARA, Silvia Hunold. Escravidão no Brasil: um balanço historiográfico. In LHP. Revista de História, vol. 3, nº 1, 1972. UFOP.

MOTA, Carlos Guilherme (org). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). 2ª Ed. São Paulo:Senac, 2000.

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varhagen a FHC. 2ª Ed. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

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