Tenentismo

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

O tenentismo surgiu na década de 1920, marco relevante para explicar a crise da Primeira República, “tenentismo” pode se referir tanto a uma determinada ação política ou à ideologia dessa ação. No primeiro caso, o tenentismo tem seu tempo bem delimitado: da década de 1920 até início da de 1930. No segundo caso, não existiria propriamente um tempo; seriam ideias que movimentam um aspecto da história do país. Existem aqui dois tipos de tenentismo: o movimento e a ideologia.

Tenentismo como ideologia remete a questões específicas, relacionadas aos ideias e objetivos que moveram a jovem oficialidade na década de 1920, e a questões gerais, relacionadas ao papel das forças armadas, em específicos do Exército, na política brasileira.

Tenentismo como movimento, relaciona-se a cortes temporais e espaciais definidos de forma clara e evidente, restringindo-se a um tempo: o tempo do tenentismo.

Suas ações ocorreram entre 1922 e 1934. Nesse período, existiu como movimento de conspiração e como governo. De 1930 a 1934, período marcado pela participação no governo e pela formação do Clube 3 de Outubro, o tenentismo teria vivido sua fase final e menos original.

O Clube teria sido criado como um partido para apoiar a Revolução. A preocupação principal era tirar o conteúdo político do Exército. A ideia seria afastar o Exército da política. No lugar da política no Exército, seria feita a política do Exército.

Além da criação do Clube 3 de Outubro, o tenentismo ainda persistiria no pós-30, com a participação de revolucionários, civis ou militares, no governo, de 1930 a 1934.

A participação no poder se explica mais corretamente como uma política de cooptação: desde 1927, quando terminaram suas ações conspiradoras, até 1930, quando viveram no exílio e foram seduzidos pelos políticos dissidentes para legitimarem a Revolução de 1930. A participação dos tenentes no governo deve ser entendida dentro dessa estratégia. Eles eram, nesse período, uma valiosa moeda política, cobiçados como legítimos revolucionários, condição que conquistaram por suas ações heroicas realizadas no período anterior, de 1922 a 1927.

Nessa fase heroica, o tenentismo, como movimento de conspiração, pegou em armas para lutar contra as oligarquias dominantes. Nesse período, surgiu como única alternativa aos anseios das classes médias populares. As mudanças tinham de ser feitas pelas armas, o que teria transformado os militares rebeldes em vanguarda política da luta contra o domínio oligárquico da burguesia cafeeira e seus aliados. Entretanto, esse foi um liberalismo de fachada. Fundamentalmente, o tenentismo se manteve fiel à defesa da ordem e das instituições. Não tinha uma proposta militarista no sentido de um governo militar, mas era elitista; propunha a moralização política contra as oligarquias cafeeiras. Os jovens oficiais seriam os responsáveis por essa moralização, através da Revolução e da entrega do poder para políticos considerados por eles como “honestos”. Nesse sentido, destaca-se seu caráter elitista, que pregava a mudança a partir de cima, sem a participação das classes populares.

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