OS MUTANTES

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

         Os mutantes foi um grupo que desestabilizou todo um pensamento musical até então sólido, perene e seguro. A música dos anos 60 se baseava em sons já conhecidos e em letras e temas a muito cantados pelos diversos ritmos e artistas. O samba, a bossa nova, a jovem guarda, as músicas de protesto, a recém MPB (Música Popular Brasileira), todas possuíam algo em comum: uma dita tradição herdada de ritmos anteriores. Mas nunca transformada e ressignificada de modo a misturar e libertar as estruturas da música brasileira. Esse foi o papel do tropicalismo, e principalmente o papel d’Os Mutantes: trazer novos símbolos e novo fôlego a arte brasileira.

         A década de 1960 presenciou o nascimento de uma das bandas mais inovadoras que o Brasil conheceu. Os Mutantes, grupo criado em 1967, teve como principais integrantes Arnaldo e Sérgio Baptista, e Rita Lee Jones. O trio de artistas recebeu grande apoio de Cláudio Baptista (irmão de Arnaldo e Sérgio) e Rogério Duprat, além de enorme participação de Gilberto Gil nas músicas gravadas pelo grupo, dentre outros.

         Arnaldo e Sérgio são filhos de pais intelectuais e músicos. A influência familiar nas artes impulsionou os irmãos a formarem um gosto único pela música. Apesar de uma educação voltada para a música erudita, os irmãos se dedicaram principalmente para o Rock’n’roll, em especial o rock americano e o rock psicodélico. Entretanto, Os Beatles, apesar de serem britânicos, foi o grupo musical que mais influenciou Arnaldo e Sérgio na caminhada rumo a um som livre, único e multifacetado.

         Rita Lee Jones, filha de imigrantes norte-americanos, se dedicou, principalmente, aos vocais. Seus interesses musicais eram semelhantes aos interesses dos irmãos Baptista, formando então um grupo que inicialmente queria tocar rock’n’roll, mas que ao final compôs uma obra que mesclou uma infinidade de outros ritmos, desde músicas internacionais até canções regionais e folclóricas.

         O hibridismo musical proposto pelos Mutantes causou grande estranheza por parte da crítica e dos demais artistas da época. As principais contestações eram relativas ao uso de instrumentos ditos estrangeiros, como a guitarra elétrica. Entretanto, grande foi o sucesso da banda, que conquistou um espaço significativo no movimento tropicalista.

         A entrada definitiva no movimento se deu com a participação no III Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, com a música “Domingo no Parque”, em que a banda fez uma participação especial na música interpretada por Gilberto Gil. Rogério Duprat fez a ligação entre Gilberto Gil, cantor e compositor de “Domingo no Parque”, e Os Mutantes. Com essa união, a música foi a segunda colocada no Festival.

         O grupo produziu grandes discos, além de participações especiais com outros artistas tropicalistas. Sua primeira obra foi o disco que tinha como nome o mesmo da banda: “Os Mutantes”. Disco gravado em 1968 com participação de Rogério Duprat. A banda participou ainda do LP “Tropicália ou Panis ET Circencis” no ano de 1968, cujo segundo nome é o mesmo de uma das músicas gravadas no primeiro álbum da banda. Houve ainda discos como “Mutantes” em 1969, “A Divina comédia ou ando meio desligado” de 1970, “Jardim Elétrico” no ano de 1971, “Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets” em 1972, dentre outros.

         Com pouco mais de onze anos, o fim da banda se deu no ano de 1978. Sérgio Baptista era o único da composição original que permaneceu até o fim. Rita Lee deixou o grupo em 1972 e Arnaldo em 1974. Ainda tiveram outras pequenas participações nas décadas de 1990 e 2000, mas o auge, sem dúvida, foi nos áureos anos de 1960 e 1970. A produção artística d’Os Mutantes foi intensa e complexa, e nem todos compreendiam suas mensagens, mas seu legado para a Música brasileira foi incontestável.

“Os Mutantes” foi sem dúvida uma banda que entrou para a História da Música Brasileira.

Fica a dica!!!!!

Quer saber mais? Leia:

COÊLHO, Denilson Alexandre. A História do Brasil em 20 minutos. eBook. Dicas de História, 2017.

BAY, Eduardo Kolody. Sobre atabaques, máquinas de costura distorcidas e macumbeiros picarescos. In: BRITO, Eleonora Zicari C., PACHECO, Andrade e ROSA, Rafael. Sinfonia em Prosa – diálogos da história com a música”. São Paulo, SP: Intermeios, 2013.

BAY, Eduardo Kolody. Qualquer Bobagem: Uma História dos Mutantes. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Universidade de Brasília. 2009. Disponível em < http://repositorio.unb.br/handle/10482/4901>.

FAVARETTO, Celso. Tropicália: política e cultura. IN: DUARTE, Paulo Sérgio & NAVES, Santuza Cambraia. (orgs.). Do Samba-Canção à Tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumará: FAPERJ, 2003.

OLIVEIRA, Ana de. Tropicália: movimento. Tropicália. Disponível em < http://tropicalia.com.br/identifisignificados/movimento>.

RIDENTI, Marcelo. Revolução brasileira na canção popular. IN: DUARTE, Paulo Sérgio & NAVES, Santuza Cambraia. (orgs.). Do Samba-Canção à Tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumará: FAPERJ, 2003.

TAITI, Luiz. A sonoridade brasileira. IN: MADEIRA, Angélica & VELOSO, Mariza. Descobertas do Brasil. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

VILATINHO, Sabrina. Concretismo. Brasil Escola. Disponível em < http://brasilescola.uol.com.br/literatura/concretismo.htm>.

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