O trabalho, a terra e o dinheiro: o poder do Capitalismo

                   
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Por Denilson Alexandre Coêlho

O capitalismo alterou drasticamente a relação do ser humano com o trabalho, a terra e o dinheiro.

Quanto ao trabalho, o ser humano se tornou refém das necessidades do mercado. Se antes do capitalismo o ser humano detinha o poder e o conhecimento de todos os meios de produção, após o capitalismo, o trabalho se tornou cada vez mais especializado, sendo necessária a venda da própria força de trabalho. Um exemplo prático disso: Se antes o artesão conhecia todas as técnicas necessárias para a confecção de um determinado item do vestuário, com a chegada do capitalismo, o artesão se viu obrigado a vender sua força de trabalho e executar apenas uma parte do processo de confecção. Ou seja, várias pessoas são empregadas para executar o serviço que uma única pessoa executava. Entretanto, se antes o trabalhador recebia o equivalente a todo o processo, depois, o trabalhador receberá apenas o equivalente à sua parte no processo, mas trabalhando por muito mais tempo. Essa é a grande jogada do capitalismo: você trabalha mais, ganha menos e conhece menos todo o processo.

Quanto à terra, o ser humano foi separado de sua propriedade. Antes do capitalismo, o comum era o trabalhador ser dono de sua propriedade ou trabalhar na propriedade de uma determinada pessoa. Após o capitalismo, a terra se tornou uma mercadoria.

O dinheiro já existia a muito tempo. Entretanto, com o capitalismo, o ser humano passou a acumular dinheiro pelo simples fato de acumular dinheiro. Não mais simplesmente para sua satisfação ou necessidade pessoal.

Karl Marx em seu livro “O capital”, explicou de forma magistral a chamada acumulação primitiva, que foi o embrião do capitalismo. E Max Weber, em seu livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” explica de maneira simples e direta o porquê que o capitalismo se disseminou de maneira tão extraordinária e avassaladora. São livros altamente recomendados para quem quer compreender um pouco mais sobre a globalização e o capitalismo.

O trabalho e a terra se transformaram em mercadoria e transformou o ser humano e sua relação com o mundo. O dinheiro foi o propulsor dessa transformação, sendo, sua acumulação pura e simples, objeto de desejo de grande parte da sociedade.

No ENEM de 2016 a questão número 09, da prova azul, do caderno 1, apresenta um texto que explica a importância da transformação de três elementos base para a indústria: o trabalho, a terra e o dinheiro.

A pergunta chave da questão foi: Qual a consequência da transformação socioeconômica implementada pela nascente sociedade comercial? A principal consequência foi a consolidação da força de trabalho como mercadoria. Ou seja, a letra C da questão 09 é a correta.

Veja abaixo, a questão na íntegra.

QUESTÃO 09 Prova Azul, Caderno1, ano 2016

Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, mais numerosos passaram a ser os elementos da indústria que exigiam garantia de fornecimento. Três deles eram de importância fundamental: o trabalho, a terra e o dinheiro. Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser organizado de uma forma: tornando-os disponíveis à compra. Agora eles tinham que ser organizados para a venda no mercado. Isso estava de acordo com a exigência de um sistema de mercado. Sabemos que em um sistema como esse, os lucros só podem ser assegurados se se garante a autorregulação por meio de mercados competitivos interdependentes.

POLANYI, K. A grande transformação: as origens de nossa época.

Rio de Janeiro: Campus, 2000 (adaptado).

A consequência do processo de transformação socioeconômica abordado no texto é a

A expansão das terras comunais.

B limitação do mercado como meio de especulação.

C consolidação da força de trabalho como mercadoria.

D diminuição do comércio como efeito da industrialização.

E adequação do dinheiro como elemento padrão das transações.

 

Fica a dica!!!

Quer saber mais? Leia:

COÊLHO, Denilson Alexandre. Um panorama da globalização e do capitalismo. EBook. Dicas de História, 2017.

 

BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário e outros temas contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar 2010.

CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRIEDEN, Jeffry A. Capitalismo Global: história econômica e política do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O Processo de Produção do Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

REIS FILHO, Daniel Aarão (org). O Século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização Capitalista. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

______________. Após o liberalismo: em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Vozes, 2002.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1996.

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