Prefixo de verão e baianidade nagô

                   
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 Por Denilson Alexandre Coêlho

Na década de 1980, o cantor Robson Morais, com a banda chamada “Banda Mel” e o compositor José Alberto da Silva, apresentaram ao mundo uma música chamada “Prefixo de verão e baianidade nagô”. Essa música , que teve seu auge no carnaval de 1991, implantou um modo todo especial de mostrar os maravilhosos traços que o Brasil herdou da África.

Em meio às diversas expressões trazidas pela música “Prefixo de verão e baianidade nagô”, uma apresenta um termo que remonta ao que podemos chamar de herança africana. Em determinado trecho do refrão surge a expressão: “Minha baianidade nagô”.  Você sabe o que isso significa?

Antes de explicar o termo com base em uma visão histórica, se faz necessário aplaudir de pé o autor e o intérprete dessa canção, pois é um dos momentos em que o artista abraça, com todas as suas forças, aquilo que podemos chamar de “orgulho de suas origens africanas”.

Nagô foi o nome dado aos negros escravizados que foram, forçosamente, retirados da região ocidental da África, mais precisamente, onde hoje se encontra países como Níger, Nigéria, Costa da Mina, dentre outros.

Originalmente, os nagôs eram chamados de Yorubas (um dos maiores grupos linguísticos de toda a África). Quando os escravizados de origem yoruba desembarcavam no litoral baiano, recebiam o nome de nagôs, expressão muito utilizada pelos franceses que participavam do tráfico negreiro para designar os africanos que embarcaram pela Costa da Mina, também chamada “Costa dos Escravos”.

Agora é possível perceber o peso histórico que esse pequeno trecho nos apresenta. Ao ouvir uma música, tente perceber as marcas de historicidade que ela apresenta. Você vai reparar que em tudo há um pedaço de História.

Fica a dica!!!!!

Quer saber mais? Leia:

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador-BA: UFBA, 2008.

FIGUEIREDO, Luciano. Raízes Africanas. Rio de Janeiro: Sabin, 2009.

HERNANDEZ, Leila Leite. Movimentos de Resistência na África. Revista de História da USP. São Paulo, n. 141, jul./dez. 1999. Disponível em:

<http://revhistoria.usp.br/images/stories/revistas/141/RH-141_-_Leila_Maria_Gonalves_Leite_Hernandez.pdf>. Acesso em: 14 out. 2015.

KLEIN, Herbert S. e VINSON III, Ben. A Escravidão Africana na América Latina e Caribe. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2015.

LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.

MELO, Elisabete e BRAGA, Luciano. História da África e Afro-Brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. São Paulo: Ática, 2006.

TAVARES, Luís Henrique Dias. Comércio Proibido de Escravos. São Paulo: Ática, 1988.

WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Dinâmicas Históricas de um Porto Centro-Africano: Ambriz e o Baixo Congo nos finais do Tráfico Atlântico de Escravos. Revista de História da USP. São Paulo, n. 172, jan./jun. 2015. Disponível em: <http://revhistoria.usp.br/images/stories/revistas/172/05-MariaCristinaCortezWissenbach.pdf>. Acesso em: 14 out. 2015.

www.aratuonline.com.br

https://www.vagalume.com.br/alexandre-peixe/prefixo-de-verao-e-bainidade-nago.html

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